Preparação para o dia ‘D’ da água de lastro

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Depois de uma longa espera, por mais de 12 anos, a Convenção da Água de Lastro da IMO finalmente entrará em vigor no dia 8 de setembro de 2017. No momento, isto significa que pelo menos cerca de 30.000 embarcações terão de instalar um Sistema de Tratamento de Água de Lastro (Ballast Water Treatment System – BWTS), e algumas estimativas dizem que esse número pode chegar a 60.000 embarcações.

Os armadores e operadores de navios devem instalar um sistema aprovado em até cinco anos, ou até a data da inspeção para renovação do certificado IOPP. Portanto, as embarcações terão de ser submetidas a reformas entre 8 de setembro de 2017 e 8 de setembro de 2022. Isto quer dizer que todas as embarcações deverão instalar um sistema aprovado de BWTS até 8 de dezembro de 2022 – prazo limite para atendimento!

Uma coisa é certa: os armadores não poderão mais fazer vista grossa para a aplicação da Convenção. Todas as embarcações acima de 400 GT serão obrigadas a manter a bordo um plano de gerenciamento da água de lastro até 8 de setembro, que será certificado conforme a Classe do navio. O descumprimento da norma será considerado uma infração legal.

Consequências abrangentes

A partir dessa data, todos os navios acima de 400 GT terão de efetuar a troca da água de lastro. Se não for possível o tratamento ou a troca da água, o estado de bandeira poderá legalmente interromper a descarga da água de lastro.

“As consequências dessa medida têm ampla abrangência: uma tonelada de água de lastro não descarregada equivale a uma tonelada de carga que não poderá ser transportada” – disse o Gestor do portfólio de produtos da Damen Green Solutions, Matthijs Schuiten. “Isto pode significar uma perda de US$ 5 a 25 por tonelada, além de representar valores significativos se levarmos em conta que os navios de maior porte podem levar até 200.000 toneladas de água de lastro! O impacto jurídico e financeiro para um armador é evidente.”

Atualmente, diversos proprietários de navios estão renovando seus certificados IOPP antecipadamente, a fim de maximizar o tempo de que dispõem antes da reforma obrigatória para inclusão das instalações de tratamento. Dado o número de embarcações e esse tipo de estratégia, é esperada uma demanda muito alta no mercado de reformas navais e dos fabricantes de sistemas BWTS nos próximos anos.

O desafio

Há diversos armadores, entretanto, que preferem cumprir as normas o quanto antes, mas que se obrigam a encarar uma série de desafios específicos.

Philip Rabe, responsável pelas vendas do InvaSave na Damen, declara:

Vamos avaliar os operadores de balsas. Seu principal problema são as operações em dobro. Considerando a data-limite para a troca da água de lastro em 8 de setembro, isto requer uma reciclagem dos tanques de água de lastro três vezes a 200 m da costa, em águas de pelo menos 200 m de profundidade ou nas áreas designadas para este fim.

Diversas balsas/plataformas flutuantes nunca chegam a tal distância em alto-mar, e mesmo que chegassem, seriam proibidas de efetuar esse tipo de operação com carga pesada, nos termos dos protocolos de seguros/segurança. Geralmente, não é permitida a presença de pessoas a bordo dessas balsas, comumente operadas sem tripulação no mar, por motivos de segurança, naturalmente. Isto quer dizer que não haveria ninguém a bordo para acionar as bombas de água de lastro. Além disto, diversas balsas nem são equipadas com bombas próprias para água de lastro.

“No caso das embarcações litorâneas, que navegam próximas à costa, também há possíveis problemas. Por exemplo, se elas estiverem navegando de Vlissingen para Rotterdam, não poderão efetuar a troca da água de lastro, dadas as restrições em relação às permissões, conforme citadas acima” – prosseguiu.

Portanto, o estado de bandeira poderia exigir o tratamento da água de lastro. Nesse caso, seria necessário um sistema certificado para este fim. Caso contrário, as embarcações estariam violando as normas.

“Mesmo se os armadores instalarem os sistemas certificados em tempo hábil, ainda não haveria garantias de que não teriam problemas. A tecnologia atual será nova para o mercado, sempre há um risco de pane” – declara Phillip.

Um estudo indica que até 40% dos sistemas instalados apresentam algum tipo de problema. A causa pode ser um projeto (mecânico) inadequado, talvez devido à inexperiência dos fabricantes com esse novo mercado, ou porque os próprios sistemas se desligam quanto a água está suja demais para sua capacidade de limpeza. Por exemplo, o sensor embutido nos sistemas baseados em raios UV detecta quando a água está muito turva para os raios UV a desinfetarem, desativando o sistema automaticamente. Mas, é claro, isto de nada vale ao se discutir com as autoridades quanto aos motivos pelos quais o tratamento não ocorreu como deveria.

“Quando uma embarcação atraca em uma dique seca, a água de lastro não pode ser  bombeada, porque pode estar contaminada. Portanto, o sistema precisa estar instalado” – explica Matthijs.

Um sistema de tratamento adequado também é necessário nos portos, que podem precisar oferecer um serviço auxiliar em caso de emergência, quando houver pane no sistema de tratamento a bordo de um navio.

Mobile ballast water treatment system, BWT green solutions
O fato de que o InvaSave é acondicionado em um contêiner de 45-pés, com aprovação da segurança pela CSC, significa que o sistema é altamente móvel: nos portos, a bordo (contêiner) de navios, ou em qualquer outro lugar. O InvaSave pode se deslocar para o ponto exato em que você precisar dele.

Outro grupo de armadores que terá verdadeiros problemas são aqueles que operam com embarcações mais antigas. Na realidade, um armador que espera utilizar uma embarcação por apenas mais alguns anos estaria disposto a desembolsar 2 a 3 milhões de euros com um novo sistema BWT que não assegure o retorno do investimento até que a embarcação seja desmobilizada?

Finalmente, mas certamente não menos importante, diversos armadores não terão capital suficiente para  equipar suas embarcações e possivelmente tentarão ignorar as normas iminentes. Dadas as condições extremamente duras do mercado no momento em diversos setores, não é nenhuma surpresa que uma parcela significativa dos armadores não disponha dos meios financeiros para instalar um sistema certificado a bordo de seus navios. Os custos podem ir de 200.000 a 3 milhões de Euros!

Solução em etapa única

Além de tudo isto, o sistema BWTS que foi aprovado até o momento prevê sempre sistemas de duas etapas. Isto quer dizer que a água é tratada quando é bombeada das águas de superfície (do mar) para o navio, fica armazenada nos taques por alguns dias (tempo de espera exigido pelo certificado), e é tratada novamente ou neutralizada ao ser descarregada. O tempo de espera é um desafio especial para muitos operadores.

Diante de fatos tão variados e desafiadores em mente, a Damen desenvolveu um sistema BWTS econômico e móvel – O InvaSave. Atualmente o InvaSave é o único sistema do mundo com a certificação exigida para a desinfecção em uma única etapa de tratamento, o que o torna muito conveniente e eficiente.

Damen InvaSave external ballast water treatment system receives IMO type approval
A equipe InvaSave da Damen tem o orgulho de anunciar a aprovação tipo IMO de sua solução inovadora para o tratamento da água de lastro. Leia a nota de imprensa sobre a aprovação tipo IMO do InvaSave da Damen.

Não requer tempo de espera nos tanques nem qualquer tipo de químico. Ao utilizar esta unidade de tratamento móvel, operadores e armadores estarão em plena observância às normas IMO.

O sistema pode ser utilizado a partir de um caminhão, do convés de uma balsa ou do cais. É inteiramente autossuficiente e pode ser monitorado remotamente via Internet.

O sistema InvaSave é inteiramente instalado em contêiner e autossuficiente. Cada contêiner tem capacidade para 300 m3/h. O contêiner pode ser transportado em uma carreta, ou várias unidades podem ser transportadas em uma balsa ou embarcação de tratamento.   É possível interligar os sistemas, por isso é fácil escalonar a capacidade de tratamento, se for necessário.

A tecnologia também é muito simples de usar – na essência,  é um sistema plug & play. As embarcações precisam somente de uma conexão no convés. O InvaSave pode tratar a água de lastro de embarcações ou abastecê-las com água de lastro limpa. E, como se trata de um sistema modulado, é muito fácil ampliar sua capacidade. Para navios com tanques de água de lastro muito volumosos, diversas unidades InvaSave podem ser utilizadas em paralelo, até se atingir a capacidade necessária.

Ballast Water treatment, port BWT solutions, green BWT
Até 80 kW de luz UV fazem parte do sucesso da história do InvaSave. Na imagem acima, um close-up do reator de luz UV ilustra essa potência. É a mesma tecnologia utilizada para desinfetar água potável para bilhões de pessoas em todo o mundo. As lâmpadas têm uma vida útil esperada muito longa e são facilmente substituíveis por uma pessoa, mesmo sem usar ferramentas.

A Damen acredita que esta solução simples e eficaz seja ideal, particularmente para os setores em que os custos dos sistemas de duas etapas certificados até o momento sejam muito altos, bem como os que estão receosos de não cumprirem as especificações até a data-limite de 8 de setembro!

O protótipo do InvaSave 300 foi projetado para o Parque Nacional de Wadden Zee, na Holanda, nomeado patrimônio histórico mundial pela UNESCO. A Damen firmou uma parceria com a Groningen Seaports Authority para desenvolver um navio receptivo de tratamento móvel para manter espécies estranhas afastadas do Wadden Zee. Entre os demais parceiros, podemos citar os institutos de pesquisa marítima holandeses Imares/Wageningen Marine Research and MEA-NL, Wagenborg and Mariflex, e Waddenfonds.

prototype InvaSave 300 was designed for the Wadden Sea National Park
Em 23 de abril, o sistema de gerenciamento de água de lastro (BWMS) InaSave, certificado IMO e vencedor de prêmios, foi lançado mundialmente, na presença de um público convidado pela Groningen Seaports no porto de Delfzijl and Eemshaven, na Holanda. Ler nota de imprensa.